Roça Agostinho Neto:
A gigante de Lobata
que precisa voltar
cuidar do seu povo

São Tomé, 29.06.2026
- No norte da ilha, a 10
quilómetros da capital e
perto de Guadalupe, está
a Roça Agostinho
Neto, no distrito de
Lobata. Fundada em
1865 pelo brasileiro
Dr. Gabriel de
Bustamante como Roça Rio
d’Ouro, a propriedade de
1.600 hectares tornou-se
a maior empresa agrícola
do país sob o comando do
Marquês de Vale Flor.
Em 1980, após a visita
do Presidente angolano
em 1976, passou a
chamar-se Empresa
Estatal Agro-Pecuária
Dr. António Agostinho
Neto. Durante décadas, a
roça foi mais do que
produção de cacau. Foi
também referência em
saúde.
Milhares de habitantes
de Lobata recorriam ao
Hospital Agostinho Neto
para consultas, partos e
cuidados de urgência.
Era o único posto médico
estruturado da zona
norte e servia dezenas
de comunidades em redor.
Hoje, a realidade é
outra. O antigo hospital
foi destruído pela
própria população, após
anos de abandono. Restam
apenas paredes
degradadas, ocupadas por
famílias sem alternativa
de habitação.
Lobata é um dos
distritos com mais de 23
mil habitantes, o
distrito de Lobata é a
terceira região mais
populosa de São Tomé e
Príncipe., segundo dados
recentes, e continua sem
um hospital funcional no
local.
É tempo de recuperar,
não de esquecer. A
destruição do Hospital
Agostinho Neto
representa uma perda
dupla: de património e
de saúde pública.
Fazemos aqui um apelo ao
Governo e às autoridades
de Lobata: é urgente
recuperar e reconstruir
esta unidade sanitária.
A dica é simples e
estratégica: reconstruir
o hospital é investir em
economia local.
Um hospital funcional
atrai técnicos de saúde,
cria empregos, reduz
custos de deslocação
para a capital e fixa
jovens no distrito. Com
a Roça Agostinho Neto já
a receber projetos
agrícolas e de
transformação, a saúde
completa o ciclo de
desenvolvimento.
Recuperar o hospital é
dizer que Lobata com
mais de 23 mil
habitantes contam para o
futuro de São Tomé.
Hospitais abandonados -
O património colonial de
saúde que São Tomé
deixou morrer

Durante a era colonial,
quase todas as grandes
roças de São Tomé tinham
o seu próprio hospital.
Eram unidades criadas
para atender os
serviçais das plantações
de cacau e café. Hoje, a
maioria dessas
estruturas está em
ruínas.
Casos como o Hospital
da Roça Agostinho Neto,
em Lobata, o 2º
Hospital de Água-Izé,
em Cantagalo, e os
hospitais das Roças
Monte Café e Santa
Margarida, em
Mé-Zóchi, já não
funcionam como unidades
sanitárias.
Alguns foram ocupados
por famílias sem
habitação, outros
simplesmente colapsaram
com o tempo. O exemplo
mais visível é
Agostinho Neto. O
antigo hospital foi
ocupado no início dos
anos 2000, após anos de
abandono do Estado.
Moradores dizem que
“tomaram a casa” por
falta de alternativa.
Lobata, com mais de 23
mil habitantes, ficou
sem um hospital de
referência na zona
norte.
No total, depois da
independência, São Tomé
passou a contar apenas
com o Hospital Dr.
Ayres de Menezes, em
Água Grande. Todos os
outros hospitais
coloniais das roças
deixaram de operar. O
resultado é um país de 6
distritos dependente de
um único hospital
central, com lavandaria
inoperante e doentes a
levar água e roupa de
cama de casa. É hora de
recuperar em vez de
construir do zero.
O abandono desses
hospitais é uma perda
dupla: de património
e de saúde pública.
Fazemos um apelo ao
Governo e às Câmaras
Distritais: recuperem os
hospitais das roças. A
dica é clara: reabilitar
Agostinho Neto,
Água-Izé e Monte Café
custa menos do que
construir novos, e leva
cuidados a mais de 100
mil são-tomenses que
vivem fora da capital.
Saúde mais perto
significa menos
deslocações, menos
mortes por demora e mais
empregos nos distritos.
Recuperar o passado
colonial pode ser a
solução para o presente
de São Tomé.
Por: João Soares
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