Guiné-Bissau: Há ainda muito
a fazer até regressar
à ordem constitucional -
Patrice Trovoada

19.02.2026 - O enviado
especial da União
Africana para a
Guiné-Bissau salientou
que há ainda muito
trabalho a fazer para o
país regressar à ordem
constitucional,
“legítima, inclusiva e
aceite por todos”,
enquadrando assim a sua
deslocação a Bissau
quinta-feira.
A deslocação, anunciada
hoje por Bissau,
segue-se à passagem de
Patrice Trovoada por
Adis Abeba, onde
aproveitou a presença na
cimeira da União
Africana (UA), que
terminou domingo, de
“praticamente todos os
atores políticos do
continente”, para
contactos, disse em
declarações recolhidas
pela RFI para esta rádio
francesa e para a Lusa.
As reuniões com o
presidente da Comissão
da UA, Mahmoud Ali
Youssouf, e o presidente
em exercício da
Comunidade Económica dos
Estados da África
Ocidental (CEDEAO),
Julius Maada Bio,
Presidente da Serra
Leoa, mas também
contactos “com outros
chefes de Estado e
personalidades de
relevo”, foram para
colher impressões e
conselhos, disse.
É a CEDEAO que está na
linha da frente desta
mediação, em coordenação
com a União Africana, e
Patrice Trovoada
adiantou que vai a
Bissau na posse de
elementos que resultam
do trabalho de
acompanhamento da
situação do país
desenvolvido por muitas
organizações,
valorizando todas,
incluindo a Comunidade
dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP) e a
União Europeia.
“A Guiné-Bissau tem sido
acompanhada pela União
Africana (que fez várias
missões ao país) e não
só, pelas Nações Unidas,
às vezes por bons
motivos, às vezes por
maus motivos. Então,
todos esses elementos
são elementos que estão
em minha posse, são
elementos de apoio que
vão servir à minha
missão”, disse.
Porque “toda a gente
concorda que há ainda
muito trabalho a fazer”
e “qualquer missão da
CEDEAO, da União
Africana e até fora do
continente que possa
ajudar ao
restabelecimento da
ordem constitucional e
legítima em Guiné-Bissau
são bem-vindas”, afirmou
o também
ex-primeiro-ministro de
São Tomé e Príncipe, que
referiu inclusive a
União Europeia e a CPLP.
“Temos sempre as Nações
Unidas, o Conselho de
Segurança, nós temos a
União Africana, a CEDEAO,
temos também a CPLP, que
é uma organização
importante com países
africanos importantes, e
temos, evidentemente, a
União Europeia, que é um
grande parceiro também
do continente (….). É
evidente que contactos
serão estabelecidos com
todos esses parceiros”,
referiu o enviado
especial da UA para a
Guiné-Bissau.
Sobre as eleições
anunciadas para dezembro
pelo Governo de
transição da
Guiné-Bissau, e depois
de, na Cimeira da UA, o
Presidente de Angola,
João Lourenço, ter
afirmado que estabelecer
a ordem constitucional
após golpes de Estado
não é realizar eleições
em que os autores dos
golpes se fazem eleger,
Patrice Trovoada disse
que “o importante é
chegar a uma situação de
normalidade”, e que “há
várias ferramentas”.
“O que é importante é
que, deste episódio, que
todos nós lamentamos, se
possa chegar a uma
situação de normalidade,
mas que traga com ela
estabilidade para os
guineenses,
credibilidade para os
guineenses e para a
comunidade
internacional. Este é o
objetivo. Há várias
ferramentas”, realçou.
“[O Governo de transição
marcou as eleições para
uma data [06 de dezembro],
tomamos nota e vamos
falar”, referiu,
salientando que “não são
coisas fáceis”, mas que
confia em que,
“dialogando e associando
todos, nomeadamente os
guineenses, ouvindo os
guineenses, também
olhando o que foi o
passado, as várias
tentativas, os vários
modelos, os
acontecimentos”, é
possível haver o
progresso para saída da
crise.
Patrice Trovoada foi
nomeado a 23 de janeiro
enviado especial da UA
pelo presidente da
comissão com o propósito
de apoiar os esforços da
organização para
restaurar a ordem
constitucional na
Guiné-Bissau.
Após o golpe militar de
26 de novembro de 2025,
na véspera do anúncio
dos resultados das
eleições gerais
realizadas três dias
antes, a Guiné-Bissau
foi suspensa de várias
organizações
internacionais que pedem
a retoma da ordem
constitucional e a
libertação dos presos
políticos, nomeadamente,
a União Africana, a
CEDEAO e a CPLP, que
substituiu a
Guiné-Bissau na
presidência rotativa por
Timor-Leste, um facto de
gerou tensões entre
Bissau e esta
organização.
Inforpress/Lusa
