FMI alerta: guerra no
Médio Oriente ameaça
economia de São Tomé e
Príncipe

14.04.2026 - Dependente
de importações
energéticas, arquipélago
enfrenta novos riscos
externos que ameaçam os
avanços do programa de
ajustamento.
Volatilidade dos preços
globais pode atrasar
reformas e pressionar
ainda mais a economia
são-tomense.
O Fundo Monetário
Internacional (FMI)
alertou que a escalada
da guerra no Médio
Oriente poderá
comprometer o
crescimento económico e
pressionar a inflação em
São Tomé e Príncipe,
colocando em risco os
avanços do programa de
ajustamento em curso no
arquipélago.
De acordo com a
instituição, o aumento
dos preços globais dos
combustíveis e dos
alimentos está a agravar
os custos internos e a
dificultar a
implementação de
reformas estruturais,
num contexto em que o
país permanece altamente
dependente de
importações energéticas.
O FMI defende, por isso,
a aceleração da
transição energética
como medida crítica para
mitigar vulnerabilidades
externas.
O aviso surge no âmbito
da terceira avaliação do
programa apoiado pela
Facilidade de Crédito
Alargado (ECF), aprovado
em Dezembro de 2024, e
que continua a ser um
dos principais
instrumentos de
estabilização
macroeconómica e de
mobilização de
financiamento externo
para o país.
Apesar das pressões, o
FMI sublinha que as
autoridades são-tomenses
mantêm o compromisso com
os objectivos do
programa, estando
previstas novas rondas
de negociações em
Washington, durante e
após as reuniões de
Primavera da
instituição. Uma missão
técnica do FMI, liderada
por Slavi Slavov, esteve
em São Tomé entre 26 de
Março e 8 de Abril de
2026 para avaliar o
progresso das reformas.
O responsável destacou
que, embora a economia
tenha demonstrado alguma
resiliência, persistem
constrangimentos
estruturais
significativos. Entre os
principais desafios,
destacam-se os cortes
recorrentes de
electricidade e os
atrasos na transição
energética, factores que
limitam a actividade
económica e agravam o
ambiente de negócios.
A conjuntura
internacional, marcada
pela volatilidade dos
preços do petróleo,
continua igualmente a
ensombrar as
perspectivas de
crescimento. A inflação,
apesar de ter registado
uma desaceleração
recente, permanece em
níveis elevados e
exposta a novos choques
externos, sobretudo num
cenário de agravamento
das tensões
geopolíticas. Ainda
assim, o FMI considera
que o programa em curso
continua a ser
determinante para
reforçar a estabilidade
macroeconómica,
impulsionar reformas
estruturais e atrair o
apoio de parceiros
internacionais.
O pacote financeiro
associado ao programa,
inicialmente fixado em
cerca de 21,5 milhões de
euros, foi revisto em
alta para mais de 25
milhões de euros em
Dezembro último, tendo
igualmente sido
prolongado até meados de
2028, um sinal da
necessidade de maior
fôlego financeiro e
temporal para sustentar
o processo de
ajustamento. Num quadro
de elevada exposição a
choques externos, a
trajectória económica de
São Tomé e Príncipe
continuará, assim,
fortemente condicionada
pela evolução dos
mercados energéticos
globais e pela
capacidade interna de
reforamas estruturais
críticas.
por Napiri Lufania
