China tem consolidado
presença em
países lusófonos africanos

03.05.2026 -
Um estudo académico
aponta que a China tem
vindo a consolidar a sua
presença tecnológica e
económica nos pequenos
países lusófonos da
África Ocidental,
nomeadamente
Guiné-Bissau, Cabo Verde
e São Tomé e Príncipe.
Um estudo académico
aponta que a China tem
vindo a consolidar a sua
presença tecnológica e
económica nos pequenos
países lusófonos da
África Ocidental,
nomeadamente
Guiné-Bissau, Cabo Verde
e São Tomé e Príncipe.
Um relatório, assinado
por investigadores da
Universidade de
Georgetown e do think
tank The Digital
Economist, destacou que
estes Estados,
"historicamente marcados
pela fragilidade
económica e política",
encontram na parceria
com a China uma
alternativa às
"tradicionais ligações
com o Ocidente".
"Estes pequenos países
contam uma história
grande e globalmente
significativa sobre a
melhor forma de
prosseguir o
desenvolvimento
internacional nos
mercados emergentes",
escrevem os autores,
William Vogt (The
Digital Economist),
Guilan Massoud-Moghaddam
e Robert Miles Chong
(Universidade de
Georgetown).
Em declarações à Lusa,
Vogt sublinhou que "a
China está a construir
relações mais estreitas
com os países de língua
portuguesa através da
ligação cultural
partilhada com Macau" e
recordou que Pequim "tem
também um historial de
apoio a camaradas
comunistas em alguns
destes países durante os
primeiros anos das
respetivas
independências".
Segundo o académico, a
situação atual nestes
países "alinha-se com
algumas das prioridades
de investimento direto
estrangeiro de Pequim,
nomeadamente a promoção
das inovações
tecnológicas avançadas
da China". Há,
acrescenta, "uma
convergência na promoção
da disseminação de
tecnologia avançada de
vigilância e na
introdução de
componentes, ferramentas
e infraestruturas
essenciais para a sua
plena implementação em
novos mercados".
"Os países de língua
portuguesa destacam-se
neste contexto porque
estão motivados a
aplicar tais programas
para reforçar a
segurança, enquanto a
China procura difundir
as suas inovações
tecnológicas de ponta no
mercado global mais
amplo", afirmou Vogt,
sublinhando que para
Pequim isto tem o efeito
adicional de consolidar
relações económicas mais
firmes e uma penetração
de mercado já visível em
alguns destes países.
Segundo o estudo, na
Guiné-Bissau, Pequim tem
investido em
agricultura, energia e
telecomunicações,
incluindo acordos com a
Huawei e apoio à
produção de caju.
Na investigação
recorda-se que "a
combinação de 500 anos
de subdesenvolvimento
português e um tipo de
socialismo estatal
garantiu que o país
nunca fosse capaz de
aproveitar os seus
recursos naturais e
humanos". Apesar da
instabilidade política,
a Guiné-Bissau aderiu à
iniciativa 'Uma Faixa,
Uma Rota' em 2021,
procurando reforçar a
cooperação com a China.
A iniciativa lançada
pelo Presidente chinês,
Xi Jinping, em 2013, é
descrita como uma
estratégia global de
infraestrutura e
desenvolvimento, que
visa ligar a Ásia,
Europa e África por meio
de rotas terrestres e
marítimas, fomentando o
comércio, investimentos
e a influência económica
chinesa.
Em Cabo Verde, os
investimentos chineses
concentram-se no turismo
e nas tecnologias de
informação e
comunicação. Projetos
como a instalação de
cabos submarinos de
fibra ótica pela gigante
tecnológica Huawei são
apontados como exemplos
da aposta de Pequim em
transformar o
arquipélago num destino
internacional e num
'hub' digital regional.
"Cabo Verde é um país
com intermediação
financeira fraca e
escassa diversidade de
recursos naturais",
nota-se no estudo,
sublinhando que o
investimento externo
direto tem sido uma
"tábua de salvação" para
a economia.
Já em São Tomé e
Príncipe, Pequim tem
privilegiado o setor
agrícola e o
desenvolvimento
portuário, com vista a
explorar o potencial
energético e marítimo do
arquipélago. A decisão
de cortar relações com
Taiwan em 2016 abriu
caminho a novos acordos
bilaterais, incluindo
projetos de TIC
sustentáveis e apoio à
investigação agronómica.
No relatório descreve-se
o arquipélago como "mais
do que a terra do cacau
e do café", apontando-o
como o "Qatar do Golfo
da Guiné" pela sua
posição estratégica.
Para Vogt, o
posicionamento global da
China revela "uma
provável compreensão das
prioridades e dos
caminhos de
desenvolvimento
enfrentados por estes
países", que podem ser
atraídos pela abordagem
de Pequim "enquanto
potência não ocidental,
sem o peso histórico dos
abusos das políticas
imperialistas
ocidentais".
Hoje, acrescentou, "a
China oferece benefícios
socioeconómicos
plausíveis a estes
países através de
produtos, programas e
iniciativas considerados
úteis para um
desenvolvimento digital
sustentável", ao mesmo
tempo que mantém "um
historial de fornecer
oportunidades para
desenvolver outras
indústrias lucrativas
através de investimento
e infraestruturas
turísticas".
Agência Lusa
