Hipertensão
e
diabetes
crescem
silenciosamente
em
São
Tomé
e
falta
prevenção

Na
comunidade,
a
prevenção
da
hipertensão
e
diabetes
começa
com
a
medição
regular
da
tensão
arterial
e
com
a
promoção
de
uma
dieta
baseada
em
produtos
locais:
banana,
hortaliças,
coco
e
peixe
fresco,
como
alternativa
ao
excesso
de
sal
e
açúcar.
Foto
tirada
durante
trabalho
de
campo
em
São
Tomé.
São
Tomé,
28
de
de
Outubro
2026
-
São
Tomé
e
Príncipe
enfrenta
uma
epidemia
silenciosa
de
doenças
crónicas
não
transmissíveis.
A
hipertensão
arterial
e a
diabetes
deixaram
de
ser
doenças
de
idosos
para
se
tornarem
uma
epidemia
silenciosa
que
avança
em
São
Tomé
e
Príncipe,
alimentada
por
um
tripé
perigoso:
má
alimentação,
falta
de
prevenção
e
ausência
de
diagnóstico
precoce.
O
alerta
é do
médico
Abdullahi,
clínico
formado
na
Rússia,
com
larga
experiência
em
saúde
comunitária
no
país.
Segundo
a
Organização
Mundial
da
Saúde,
as
doenças
crónicas
não
transmissíveis
são
hoje
responsáveis
por
mais
de
70%
das
mortes
no
mundo,
e
São
Tomé
e
Príncipe
segue
a
mesma
tendência
preocupante.
"Tudo
o
que
consumimos
está
a
matar-nos
lentamente.
O
santomense
mudou
a
sua
dieta
tradicional,
rica
em
peixe
fresco,
fruta
e
legumes,
para
uma
dieta
de
risco",
explica
o
médico.
A
DIETA
DE
RISCO
QUE
ESTÁ
NA
NOSSA
MESA
O
especialista
aponta
directamente
para
os
hábitos
alimentares
enraizados
na
cultura
alimentar
actual
como
principais
gatilhos:
O
consumo
diário
e
excessivo
de
carne
de
porco
e
chouriço
de
porco,
ricos
em
gordura
saturada
e
sal,
é
apontado
como
uma
das
origens
directas
da
hipertensão
e da
diabetes.
A
estes,
somam-se
o
uso
exagerado
de
óleo
de
palma,
o
sal
em
excesso
no
calulu
e
nos
molhos,
o
açúcar
nos
sumos
industrializados
e o
consumo
elevado
de
bebidas
alcoólicas.
São
alimentos
de
fácil
acesso,
baratos
e
culturalmente
aceites,
mas
que,
a
longo
prazo,
entopem
artérias
e
desregulam
o
açúcar
no
sangue.
O
CASO
ALARMANTE
DE
RIBEIRA
PEIXE:
O
RETRATO
DO
PAÍS
A
dimensão
do
problema
foi
exposta
de
forma
crua
numa
campanha
de
rastreio
realizada
na
localidade
de
Ribeira
Peixe,
pela
empresa
Agripalma.
Das
cerca
de
300
pessoas
rastreadas,
100%
apresentaram
valores
de
tensão
arterial
acima
do
normal.
Mais
grave
do
que
o
diagnóstico
foi
o
que
veio
depois.
Após
a
prescrição
médica,
a
equipa
deparou-se
com
um
dilema
social:
muitos
pacientes
admitiram
que
preferem
usar
o
pouco
dinheiro
que
têm
para
comprar
comida
e
bebida
para
a
família
do
que
para
comprar
medicamentos
para
uma
doença
que
"não
dói".
Outros,
na
extrema
pobreza,
simplesmente
não
têm
como
comprar.
Este
dado
revela
uma
falha
sistémica.
"De
que
adianta
diagnosticar
se
não
há
seguimento?
Muitas
famílias
não
têm
sequer
um
aparelho
de
medição
em
casa
para
controlar
a
tensão
e a
glicemia.
Sem
aparelho,
sem
medicamento
e
sem
dinheiro,
o
doente
volta
para
casa
condenado
a
ter
um
AVC
ou a
perder
a
visão",
argumenta
Abdullahi.
O
CICLO
VICIOSO:
POBREZA,
DOENÇA
E
FALTA
DE
INFORMAÇÃO
O
médico
defende
que
o
combate
à
hipertensão
e
diabetes
em
São
Tomé
não
pode
ser
apenas
clínico,
tem
de
ser
comunicacional.
Há
uma
necessidade
urgente
de
uma
estratégia
nacional
de
comunicação
para
a
saúde,
que
utilize
de
forma
massiva
as
rádios
comunitárias,
a
TVS,
os
jornais
e as
redes
sociais
para
ensinar
a
população
a
comer
melhor
e a
procurar
o
centro
de
saúde
antes
de
ficar
doente.
E
lança
ainda
um
alerta
transversal
de
saúde
pública
que
agrava
o
quadro:
análises
à
água
da
rede
pública
detectaram
a
presença
da
bactéria
causadora
da
febre
tifóide.
A
contaminação
da
água,
associada
a
uma
alimentação
de
risco,
cria
um
ambiente
propício
ao
colapso
da
saúde.
"Aconselho
vivamente
a
população
a
ferver
a
água
antes
de
beber.
Ferver
é
mais
eficaz
e
seguro
do
que
apenas
tratar
com
lixívia,
que
muitas
vezes
é
mal
doseada
em
casa",
recomenda.
Para
Abdullahi,
São
Tomé
e
Príncipe
precisa
decidir
agora
se
quer
continuar
a
pagar
a
conta
cara
do
tratamento
de
complicações
nos
hospitais,
ou
investir
na
prevenção
barata
nas
comunidades.
A
prevenção,
conclui,
não
é um
custo.
É o
único
investimento
que
garante
um
país
saudável
e
produtivo.
Em
São
Tomé
e
Príncipe,
a
hipertensão
e a
diabetes
continuam
a
matar
em
silêncio
porque
muitos
só
descobrem
a
doença
quando
já é
tarde.
Mas
a
solução
não
está
só
no
hospital.
Está
na
mesa,
no
quintal,
na
escolha
diária
do
que
comemos.
Promover
o
peixe
fresco,
a
banana,
as
hortaliças
e
reduzir
o
sal
e o
açúcar
é o
tratamento
mais
barato
e
mais
eficaz
que
temos.
Prevenir
é
possível,
e
começa
agora,
em
cada
casa.
Reportagem
de:
João
Soares
Fotos:
Adilson
Castro
Local:
São
Tomé
e
Príncipe
Outubro
de
2026
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